Zero Absoluto













20/09/2008 05:26

Poesias da insônia



Pássaros da manhã


Não quero dormir agora
Já disse que não quero!
Não adiantar ficar cantando
Me avisando que é um novo dia
Seu canto é bonito
Depois que eu acordar
Quando ainda estou acordado
É deprimente
Eu sei que você precisa acordar
Quem precisa trabalhar
Mas eu não trabalho
E nem o sol vai me fazer deitar...

Eu sempre fico esperando seu canto
Também esperei que ela me fizesse um verso
Ou deixasse estar ao seu lado
Passarinho pare de cantar
Ainda o amargo da vida escorre
E não acabou a cerveja..
Paciência passarinho
Eles acordaram
E eu ainda não dormi.

E se eu fosse à seu ninho e começa-se a berrar
Ficar de piu-piu pra lá e pra cá
Deixa eu ser alegre e não mais falar pros amigos
Histórias e cantos tristes
Vou acordar seus filhotes
Vou eu cantar em seu ninho
Eles e os outros passarinhos me chamariam de louco
Tudo bem eu sou, fazer o quê?
Não é bom cantar?
Mas não acorde ela
Ela fica brava
À essa hora quem se importa
Dá licença passarinho
Que pra ela eu vou cantar...

enviada por zeroabsoluto



18/09/2008 00:37

Poesia de jejum


Elas gostaram de mim
e fui idiota
não gostei delas
só gosto de quem não gosta de mim

eu as culpei
coloquei meu defeitos
não me desculpei
orgulhoso, como um menino mimado
bebo, olho a parede
agora calado

elas não gostam de mim
eu fui idiota
gostei delas
só não gosto de quem gosta de mim



enviada por zeroabsoluto



16/09/2008 19:58

O ato bondoso da garota alternativa



O onibus para
a garota alternativa se levanta
sai correndo
uma velhinha tenta subir
ela ajuda a velhinha
pega a sacola
como se fosse dar esmola
estica a cabeça e pro onibus olha
sorrindo e feliz
"olhem meu ato bondoso"
todos olhando pra janela com seus fones de ouvido...

a velhinha agradece
diz que com o tempo se padece
desata a falar
contar suas duros dias da vida
a garota alternativa compenetrada
se imaginando num filme do almodovar


enviada por zeroabsoluto



08/09/2008 09:44

Versos...



Acendo um cigarro
a fumaça se perde na janela
mundo lá fora
não não obrigado
prefiro ficar me lamentando
aqui no meu mundinho 3 por 3

a fumaça se dissipa
uma pequena fresta
não gosto da luz de fora
nem das pessoas que nela estão
deixa eu sossegado
aqui no meu mundinho 3 por 3

outra promessa não cumprida?
eu anoto no caderno
deve estar no volume 3
virtual, banal
tá eu sou anormal
então não me empurre positivismo
tem cerveja e mais cigarro
aqui no meu mundinho 3 por 3

segunda feira
não quero ir
estava tão bom
final de semana o de sempre
espero você ligar
você falar alguma coisa
e você fala
"não não obrigado perdi a vontade, fique em seu mundinho 3 por 3"



enviada por zeroabsoluto



05/09/2008 10:48

Acontece...



Sempre a mesma ilusão
Acontece...
A mesma e sádica rejeição
Acontece...
O sentimento de estar sempre errado
usado e enganado
ficar sozinho entre os livros com finais felizes
Acontece...

sempre ser enganado
caindo nas seduções por saias e sorrisos angelicais
cair em truques banais
Acontece...

O mesmo discurso
Acontece...
A mesma falsa promessa
Acontece...
Pra quem bate é facil
quem apanha
nunca esquece

As mesmas frases
Acontece...
o mesmo discurso
Acontece...

a derrota
Acontece...
o frio da noite sozinha
e saber que sempre será assim
Acontece...
a falta de dinheiro
Acontece
desilusões com as pessoas
Acontece

Saber que será a mesma história tudo de novo
Acontece...



enviada por zeroabsoluto



29/08/2008 08:20
Sem Título

Já não vejo esperanças
não acredito em sorrisos e amizades
nem gosto das danças
que fazem pra acasalar
nem gosto de cantar
recitar o que penso
sou amargo mesmo
faz parte

Já não acredito mais em você, tu
quem quer que seja
veja meu sorriso amarelo
e minha piada pra te agradar

Já não sou o amigo dos maconheiros
e sempre me encaram como monstro
então por que raios com você quero andar?
minhas ex namoradas me chamam de louco
as feias de grudento
as bregas de chato
e dizem que eu não vou mudar

as pessoas evitam e dão desculpas
dizem lorotas como as do estadio
só pra te fazer feliz
te empurram um monte de conversar sem conteúdo
há quem diz
que faz bem pra alma...

eu já não sei...
enviada por zeroabsoluto



21/08/2008 11:39

As poesias rejeitadas de Arturo Stoppa volume 1



À uma pessoa desconhecida


Uma voz
Ecos na imaginação
Distancia torturante
Não cura a solidão
Só enfraquece o coração
Aumenta a ansiedade
Um beijo de verdade
Utópico e delirante desejo
Solidão venha cá
Dividiremos a garrafa
E brindaremos
Quem nunca veremos...

Os anos que passam
Os dias que vem
Cada um pro seu lado
Tudo bem
Aquelas palavras
Um dia trocadas
Por outra pessoa
Tem-se também

Naquelas noites onde só se ouvia uma voz
Um pedaço de nós, sonhos e planos
Futuro incerto
O destino prega peças
Minha atenção não mais te interessa
Caída nos braços de alguém...

Naquela noite quente
Sentimentos vão e voltam
Parecem adolescentes
Descobrindo o que é amar
Viajar nas asas de sonhos impossíveis
E um dia poder se encontrar
Do que prometemos de ver o nascer do sol
Há muitos anos atrás




enviada por zeroabsoluto



10/08/2008 13:57

Versos na Avenida Paulista volume 1



Essa cidade é maluca

os carros passam e buzinam

em seu coração financeiro

eu olho para a menina

ela passa correndo...




enviada por zeroabsoluto



26/07/2008 13:57

A tinta da falsidade

Vício maldito. – pensava comigo mesmo ao acender meu ultimo cigarro naquela quinta feira comum da primavera paulistana. Logo teria que sair e pegar mais um maço e morrer lentamente sem propósito fumando e pensando na vida. O detalhe é que tinha parado algumas vezes, mas sou um homem corrompido pelos vícios, eu assumo, e voltei após ficar quase que três anos longe da nicotina. O tempo, o de sempre da capital paulistana, garoa, como eu adoro essa garoa, essa sensação fúnebre, de como Machado de Assis um dia falou “Os Deuses devem estar chorando lá de cima...”, e devem estar mesmo com tudo a nossa volta completamente esquecido por eles.

Do meu trabalho até o lugar mais próximo que vendia cigarro é um quarteirão apenas, é um bairro interessante, com diversas praças, pessoas sentadas nela, pessoas andando contra e com tempo de sobra. Eu não tinha esse tempo, tinha que estar de volta pra rotina, pra ficar prostrado em uma mesa só ouvindo a desgraça alheia, por horas, todos os problemas e tipo de pessoas, uns choram, outros não sabem chorar, essa é a vida. É engraçado pensar nesse tipo de coisa, às vezes me acho insensível demais em ouvir coisas do tipo: “Eu estava com câncer naquele período, perdi tudo, mas agora estou bem...” e ao invés de compartilhar meu ombro amigo e castigado de tantos problemas, me levantar e pegar um copinho de café, no máximo dar um lenço de papel e digo: “tudo vai melhorar”, como se adiantasse algo pra quem escuta. Fico pensando também, nos que não são sensíveis, nos que machucam e desdenham sem o menor motivo, é curioso isso, mas me atrai esse tipo de pessoa, quero saber o que uma mente dessa pensa se o problema e tudo que ela faz de mal às pessoas fosse pago, se voltassem contra elas, os positivistas dizem que vai sim que “Deus”, castiga, mas Deus deixa crianças morrerem de fome.

O caminho para comprar cigarro, como já havia dito de um quarteirão, é como se fossem desertos escaldantes, secos e infinitos perante a amargura e secura dos pensamentos que passam pela minha cabeça. Passo pela escola, aonde meu pai estudou, aonde agora, os meninos e meninas que eu já tive essa idade, são diferentes, tudo agora está diferente. E sei que não vai mudar. No caminho uma torrente de pensamentos negativos e positivos, sonhos, foras, pessoas que passam e saem da sua vida, me dão um sentimento de tristeza e vazio, que nem a empregada com trajes insinuantes e que me faria ficar louco de desejo, possa me animar.

Pego o cigarro, e ao invés de voltar pelo mesmo caminho sigo o oposto e dou a volta pelo quarteirão aonde na esquina tem uma barraca de lanches. Nela, que fica parada na frente do meu serviço, se reúnem os anti-marmitas, os apreciadores da comida rápida, porém nada saudável de nossos tempos. Nisso encontro meu amigo de serviço, sentado nela e comendo sem piedade e com uma voracidade digna de um esfomeado seu lanche, ao terminar, ele diz:

- Pedrão manda outro, que esse aqui nem cócegas me fez. Nisso ele vira e me vê e diz:
- Quer um pra você, aproveita que estou bonzinho hoje, dando uma risada.
- Obrigado respondi, acabei de almoçar e só fui pegar um cigarro. – respondo desanimado.

- Então separa um desse que eu vou filar um seu, mas o Pedrão, quer que eu mate o boi pra sair mais rápido esse lanche, pois esse corpinho aqui precisa de combustível (detalhe ele no mínimo deve ter seus 100kg.). Mas então, o que você ta fazendo lá no setor novo que te deram, se deu bem hein muleque?!!! – me dando tapas no ombro, quase deslocando.

- O de sempre meu amigo, vendo a hipocrisia das pessoas, a arrogância, o de sempre, isso me deixa triste, mas de que adianta dizer, será sempre assim....

- Tem razão, mas esse Pedrão ta foda!!! Ô Pedrão, cadê o lanche Pedrão??? – batendo forte na mesinha da rua.

Nisso aparece um senhor de aproximadamente uns sessenta anos, gordinho, cabelos brancos, uma camisa florida, calça social e tênis, chega de forma sorrateira e simpática abordando todos (eu o Pedrão, mais meu amigo do serviço e uma garota que estava sentada na mesa do outro lado):

- Por favor, desculpe interromper o lanche de vocês, mas alguém, sabe onde fica o Tribunal da região? Preciso estar lá antes das duas da tarde e estou com medo que eu possa chegar atrasado e me prejudicar com isso.

- Claro senhor diz o cara da barraquinha, é nesse prédio em frente. Só o senhor subir as escadas, se apresentar que o rapaz da portaria te indica o local certo que o senhor terá que comparecer.

- Muito obrigado meu jovem. – responde o velho. È difícil alguém ajudar um senhor hoje em dia sabiam?

- Eles são idiotas, respondi. Um dia chegarão no seu lugar e com sua idade e nem se lembrarão que fizeram esse mal contigo. É assim mesmo meu senhor, quanto mais bondoso e gentil se é com quem se gosta, mais desprezo e desdém se recebe.

- Garoto você é amargo sabia?

- Sim eu sou sim meu senhor, mas essa amargura veio de todas as vezes que me deixaram, me prometeram dar os doces e quando vi não passavam de promessas baratas, ditas aos quatro cantos do mundo pra mostrar que são pessoas legais e sociáveis pros outros, mas vou aprendendo, quando tive na sua idade quem sabe essa amargura não pode mudar?

- Tem razão garoto, espero que um dia essa sua amargura passe, mas vou lhe dizer uma coisa não só a você, mas a todos aqui presentes agora, inclusive pra essa moça linda sentada na outra mesa. Sabe meu filho, “Esses cabelos brancos aqui foram pintados pelas mulheres com a tinta da falsidade” sabia?

Ao dizer aquela frase toda a barraca se levantou e começou a aplaudi-lo, como se ele fosse o pensador mais importante de nossa época. Menos a mulher sentada na outra mesa que diz:

- Velho maluco. – e continua comendo seu lanche.


enviada por zeroabsoluto



26/07/2008 13:54

Um dia na clinica do Doutor foto copiada de algum site.









"Eles nos censuraram Doutor, agora somos considerados "material ofensivo"...


enviada por zeroabsoluto






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